domingo, 15 de agosto de 2010

I Wish I was in New Orleans



Porque Jazz + frio + uma excelente companhia é uma combinação perfeita.


Well, I wish I was in New Orleans, I can see it in my dreams,
Arm-in-arm down Burgundy, a bottle and my friends and me

Hoist up a few tall cool ones, play some pool and listen
To that tenor saxophone calling me home
And I can hear the band begin "When the Saints Go Marching In",
And by the whiskers on my chin, New Orleans, I'll be there

I'll drink you under the table, be red-nosed, go for walks,
The old haunts what I wants is red beans and rice
And wear the dress I like so well, and meet me at the old saloon,
Make sure that there's a Dixie moon, New Orleans, I'll be there

And deal the cards roll the dice, if it ain't that old Chuck E. Weiss,
And Claiborne Avenue, me and you Sam Jones and all

And I wish I was in New Orleans, 'cause I can see it in my dreams,
Arm-in-arm down Burgundy, a bottle and my friends and me
New Orleans, I'll be there

sábado, 14 de agosto de 2010

Economistas e técnicos de futebol

Luiz Guilherme Piva - Texto muito bom sobre economia e futebol... um pouco do que ele diz sobre economistas dá para estender aos "cientistas sociais" também. Ao menos para mim, heterodoxo no futebol, conservador na ciência... boa sacada do cara.

Técnicos de futebol podem ser comparados a economistas. Os dois profissionais lidam com realidades de difícil controle (sociedade, jogadores) e, tendo em mente concepções e planos de ação, buscam seus objetivos pondo para atuar os recursos de que dispõem. Na maioria das vezes dá errado, e eles sempre atribuem a culpa ao imprevisto e aos recursos disponíveis - nunca às concepções e aos planos de ação.
Às vezes chegam a crer que o problema é com a realidade, inadaptada à sofisticação e ao acerto do modelo adotado. E mais: diante de fracassos seguidos, eles acreditam que o problema é a impaciência do público, que não vê que no longo prazo tudo dará certo – embora um dos mais famosos economistas (Keynes) afirmasse que no longo prazo estaremos todos mortos.
Na prancheta do técnico ou na planilha do economista, coloca-se um boi na entrada de um modelo e saem bifes do outro lado. Os pressupostos do modelo são escolhidos casuisticamente por eles mesmos, com a ponderação e os riscos que arbitram para produzir exatamente o que pretendem. Tudo perfeito. Aí vem a realidade, com fatores e pesos não considerados, e atrapalha: oligopólios, retrancas, dribles, greves, banqueiros, juízes, morrinhos, tecnologias, trivelas, burocracias, geadas, traves, etc. Seria o caso de, como os russos, perguntar para o técnico: combinou com o Garrincha?
Não, é claro. Mas técnicos e economistas seguem acreditando com tanta fé no modelo que, frente ao fracasso, voltam à prancheta e à planilha, colocam na saída do seu modelo os bifes e vêem sair um boi inteiro, perfeito, lá na entrada. Eles então se convencem ainda mais do seu acerto. E tentam de novo, de novo, de novo. Morre gente no caminho. Times se acabam. Torcedores se enfurecem. O país se afunda. Mas, caramba, é preciso ter paciência!
Avançando na comparação, há um antigo paradoxo que acabei de inventar. É que economistas são considerados ortodoxos quando pretendem que o governo não intervenha em nada: se ele não agir e só der as regras gerais, tudo dará certo, apregoam. Produtores, distribuidores, consumidores, trabalhadores, desempregados e miseráveis encontrarão seu lugar e sua função da melhor forma, com a maximização de suas individualidades no livre jogo das forças de mercado, em prol do benefício de todos. Os técnicos classificados de ortodoxos, porém, são os que controlam todos os movimentos do time, coibindo o individualismo e o improviso, que resultariam, crêem, no caos e na derrocada. Por isso, desenham, cronometram, ensaiam, gritam, premiam e punem quem não seguir estritamente suas determinações táticas. 
Já os heterodoxos, na economia, são os que querem planejamento, intervenção e gasto público para evitar o caos e a miséria. E, no futebol, ao contrário, heterodoxos são aqueles técnicos que não se apegam a modelos rígidos e propõem o jogo livre com base na individualidade e na criatividade dos jogadores, guiados apenas por suas diretrizes gerais – que eles preferem chamar de estratégia, em lugar de tática.
Ou seja, Cruyff, treinador heterodoxo, seria, transplantando-se seu ideário, um economista ortodoxo. Milton Friedman, economista ortodoxo, seria um técnico heterodoxo. Parreira e Keynes seriam os opostos daqueles, respectivamente.
Mas as coisas não são simples assim. Há aqui um outro paradoxo clássico, que montei agora só para fechar o texto. É que, se dividirmos em grupos de afinidade as pessoas que gostam simultaneamente de economia e de futebol, certamente haverá um grupo que gosta de Friedman e Parreira (ambos ortodoxos, mas com acepções opostas de ortodoxia) e outro grupo que gosta de Cruyff e Keynes (ambos heterodoxos, mas com acepções opostas de heterodoxias).

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Abrace-me

Ele só queria... alguém que se importasse com ele. Alguém que o abraçasse. Alguém para esquentá-lo. Ninguém o faria. Quando nos abraçamos, na escuridão, não faz com que ela vá embora, as coisas más ainda estão lá fora: Os pesadelos ainda caminham. Quando nos abraçamos nos sentimos... não seguros, mas melhores. "Está tudo certo", sussurramos. "Estou aqui; eu te amo". E mentimos, "nunca vou te deixar". Por apenas um momento a escuridão não pareceu tão má. Quando nos abraçamos.

Hellblazer #1.

                                      

Chatterton

Musica do Serge Gainsbourg, versão de Seu Jorge. 
Não simpatizo muito com seu Jorge, mas essa versão até ficou legal....


Chatterton

Sangue, Sangue,
Sangue

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Getúlio Vargas, suicidou
Nietzsche, enloqueceu
E eu, não vou nada bem

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isócrates, suicidou
Goya, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Cleópatra, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu, puta que pariu, não vou nada, nada bem.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Homenagem atrasada

Foi dia dos pais, né? Ok. Deixo uma dica  de semi-diário muito legal pra ter uma idéia de algo sobre o qual eu simplesmente não entendo. Bom pra quem pensa em ter filhos. Imagino que alguns vão ter vontade de ter um bebê também (ou não...). Eu, fico com a máxima: No dos outros é refresco. Deixa quieto.
Mas visitem:
http://sagradosilva.blogspot.com/

Esse guri vai se dar bem. Como diz a máxima do Miopia virtual, "não adianta ver longe se está olhando pra trás...", e esse míope aqui foca nos lugares certos. Ao menos, boas influências o Augusto vai ter. E logo, logo, a camisa do Corinthians chega pra ele, viu Flávio?
Sorte aos pais de primeira viagem, que são muitos a minha volta.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Montou-o de assalto na rede e o amordaçou com as fraldas do camisolão que ele vestia, até deixá-lo exausto. Então o fez reviver com um ardor e uma sabedoria que ele nunca imaginara nos prazeres insípidos de seus amores solitários, e o despojou sem glória de sua virgindade. Ele estava com cinquenta e dois anos, e ela com vinte e três, mas a diferença de idade era a menos perniciosa".

Gabriel García Márquez - "Do Amor e Outros Dêmonios".

Amigos

Acordei e desci, fui à padaria, e na fila do pão topei com Hemingway, perguntei-lhe onde estava seu rifle e ele me disse que desde que aquela porcaria falhou no tal momento fatídico, ele deu adeus às armas. Ele parecia ter cento e poucos anos, perguntei como era ter essa idade, e ele me disse que há muito tempo já a vida deixara de ser uma festa. Deixei-o, desejando-lhe mais sorte da próxima vez que pirar e resolver se matar, e fui ter com Bukowski no barzinho da esquina de casa, ele já estava com um bafo de cachaça horrível, tinha varado a noite, não sei direito se ele passou a noite bebendo ou varou alguém à noite, enfim, me disse que Cortázar tinha acabo de ir embora com sono e sem cigarros, eu tinha alguns, pensei em alcançá-lo, mas ao longe ele já entrava bêbado num táxi para o pesadelar. Voltei para falar com Bukowski e ele já lançava seu hálito fétido em cima de uma senhora mal-ajeitada que lhe pedia para pagar uma cerveja, ela ia resmungando enquanto ele a cheirava, mexia na alça de seu sutiã que escapava do vestido, e ria, como ria. Achei que deveria deixá-los ali, a sós com seus demônios. Regressei à casa, onde já tão cedo, na sala, Clarice e Garcia Márquez discutiam animadamente coisas como a origem dos sonhos, a vida de Picasso e as motivações dos crimes passionais. Preparei mais uma rodada de café, acendi um cigarro e ali ficamos, nobres debatedores do trivial, radiantes em nossas paixões mundanas, lendo uns para os outros poemas de Anne Sexton e Rimbaud e escrevendo romances no ar com nossos dedos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

The Blues Brothers



Mais uma dica de filme e musica. "The Blues Brothers", o filme que leva o nome da banda dos comediantes Dan Aykroyd e John Belushi (que morreu de overdose no ano em que nasci), de 1978, dirigido por John Lands. Na cena, eles cantam "Rawhide".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Segundas são todas iguais



Então, na falta de que escrever, vou de musica!

"Jockey Full of Bourbon", do Tom Waits, na trilha sonora de "Down By Law", de Jim Jarmusch.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Porque eu tenho um blog

Não que isso seja uma preocupação pra mim, mas é que fiquei pensando nisso essa manhã, enquanto racionalizava sobre algumas coisas da minha vida, às vezes eu tenho esse hábito e garanto que é um bom hábito, muito necessário, ainda que nem sempre queira fazer o que é necessário, mas daí entre temas importantes como trabalho, amor, juventude, apareceu o assunto do blog, por que? E diria que enquanto umas pessoas desoladas que sempre encontro por aí escolhem falar com estranhos de seus problemas pessoais porque sabem que nunca mais vou encontrar com eles na vida, ou enquanto uma pá de pessoas que conheço vem falar comigo de suas vidas de um jeito como elas não falam com mais ninguém, não sei se por me considerarem alguém confiável - e eu sou mesmo, na boa - ou porque ficam a vontade comigo porque eu topo falar sobre tudo, de banalidades até crises existenciais passando por pequenas confidências, eu acho bacana, realmente gosto de falar com pessoas sobre suas vidas, é melhor do que falar sobre política ou sobre a "modernidade", as pessoas sempre ficam parecendo o Zygmunt Bauman quando falam desses assuntos, parecem velhos resmungões sem nada melhor pra fazer; enquanto as pessoas fazem isso, eu escrevo aqui no blog. Não é nenhuma maravilha, eu sei, um motivo nada bonito, mas  escrevendo aqui eu me eximo de aborrecer os outros com minha vida e minhas angústias e até mesmo minhas pequenas alegrias, que eu sei que são bastante esquisitas, claro que se alguém pedir eu falo sim sobre minhas merdas, sobre os traumas e sobre solidão, mas ao menos não é uma necessidade, aprendi a conviver com a idéia de que ninguém é obrigado a saber que tal dia acordei de uma dessas noites mal-vividas, olhei pela janela e senti uma vontade quase incontornável de me atirar, como é aquela frase do 8 e 1/2 mesmo? "Quem vai se interessar pelo esquálido catálogo de seus erros?" Algo mais ou menos assim. Então a história é essa, escrevo aqui, deixo rolar, pode ser que fale isso com alguem olhando nos olhos, mas se ninguem perguntar sobre, um pouco está aqui, registrado. Não vai virar livro, nem nada, só um digital "esquálido catálogo de erros", para o caso de se algum dia eu frequentar uma analista e ele perguntar: "Mas você nunca falou disso com ninguém?", eu ao menos poder responder: "bom, se não me engano, escrevi isto num blog".

sábado, 17 de julho de 2010

Ginsberg sobre Neal Cassady

"Quantas noites de sábado
Teremos deixado bêbadas com esta lenda?
Como fará a jovem denver para carpir
seu olvidado anjo sexual?

Quantos garotos baterão no piano negro
imitando os excessos de um santo da terra?
Ou garotas que cederão ao desejo sob seu espectro
nos colégios da noite melancólica?

Quando tivermos o tempo todo na eternidade
na tênue luz de rádio deste poema
sentaremos atrás das sombras esquecidas
ouvintes do jazz perdido de todos os sábados."

Trecho de "O Automóvel Verde", Allen Ginsberg.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Refletindo...

Pensando bem, o problema com a inteligência é bem parecido com o da distribuição de terras no campo no Brasil:
Alguns poucos têm tanto, enquanto a maioria parece completamente desprovida...

A diferenca é que, no caso da inteligência, não se pode dizer que isso seja exatamente injusto. Seria terrível se todos fossem simplesmente medianos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Retrato Incomunicável

Tenho tanta coisa sufocada que é melhor nem contar.
Se ao menos você soubesse.
Eu só queria que você adivinhasse;
Sozinha, sem minha ajuda.
Eu só sei agir. Falar não é comigo.

Mas eu sei mandar sinais.
Farei isso.
Vou seguir pelo caminho mais complicado,
E torcer pra que no fim o recado seja dado.

Tenho tanta coisa sufocada.
Nem vou contar.
Eu sei que uma hora você vai entender.
O problema é que, enquanto isso,
O tempo passa, o frio aumenta.
Em algum momento, serei imolado,
Como o Cordeiro cujo sangue se esvai
Redimindo pecadores
Mártir involuntário de uma história mal-contada.

Deite-se. Eu tenho estórias pra contar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Bruxa

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.
De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Blues teve um filho e ele foi chamado de Rock and Roll

De algum jeito tudo que eu sou hoje tem a ver com o rock. De um jeito ou de outro, para o bem ou para o mal. Eu tava lá, com quinze anos, num clube pequeno escutando qualquer coisa, pirando naquele barulho, bêbado à noite, caminhando por Jardim da Penha, cercado de coturnos pretos e pessoas loucas, extremamente diferentes unidas entre si pela música e dispostas a tudo para que a noite durasse nem que fosse um minuto a mais, apenas. Primeiro foi o Nirvana, e toda aquela melancolia de adolescente desterrado, as calças rasgadas e blusas de flanela, Pearl Jam e tudo o que significou pra mim, marcado na minha perna até hoje, depois o engajamento político (longe de partidos, desde o inicio) inspirado por Rage against the machine, Dead Fish, The Clash e todo punk rock do mundo,  toquei numa bada de rock sem saber tocar, Ramones é mole, três notas e já foi, a seguir Guns, rock dos anos 50, bebidas, mulheres, mais bebida, Bukowski, Metal também entrou na salada, ainda que me sentisse desconfortável nos shows a musica era de uma violência que acalmava meu lado mau, mas eu queria mais, e aí era Lou Reed e Rolling Stones na vitrola, e as noites cada vez mais longas, durando as vezes dias e dias, e eu que não sabia dançar forró ou samba me acabava ouvindo Garbage, Primal Scream, Stone Roses, desejando ouvir aquilo numa pista de dança, o mundo se estendia, Jimi hendrix virou Deus pra mim, e nessa veio o Blues, Jazz e mais uma porrada de coisas. E mesmo meu gosto por filmes ou quadrinhos veio daí, Tarantino é muito Rock 'n' roll, Neil Gaiman é muito The Cure, e por aí vai. Muito do que citei aqui nem é mais relevante pra mim hoje em dia, mas aquilo nunca saiu de mim, aquela semente do mal plantada não sei quando, não sei por quem, mas que cresce cada vez que coloco um som pra tocar. Essa foi minha educação, ao menos a que mais contou. As histórias que conheci por causa do rock, que passaram pela minha vida, aquele brother com quem passava tardes inteiras bebendo vinho e ouvindo o mesmo disco do Velvet Underground, meu livro com os artigos do Lester Bangs, as maluquices do Jim Morrison, as garotas cheias de atitude e maquiagem e roupas escuras com quem flertei, as noites discutindo musica, é disso que sou feito, no fim das contas. Cresci, mudei, aprendi, diria até que morri e ressuscitei, não sou mais tão inocente, não quero me acabar em tristeza para transformar isso numa musica, nem quero acordar na sarjeta com uma musica do Iggy Pop na cabeça ("I got Lust for Life"), mas a mensagem ficou. Aprendi mais com o rock do que com todos os conselhos paternos ou com a escola (ainda que, a seu modo, cada um tenha sua importância...). Posso até não gostar de quem sou, mas fui eu quem escolhi tudo isso. É melhor ser consumido em chamas do que evaporar (diria Neil Young). Então viva as musicas que nascem na garagem. Viva a folhagem seca que sobra nos quintais da virtude. Viva a loucura estilizada. Viva a indecência e a fúria.Viva os deuses sujos do rock.



Lá vem Johnny Yen novamente
Com a birita e as drogas
E a máquina de carnes
Ele vai fazer outro striptease
Ei cara, onde cê arrumou esta loção?
Estou ferido desde que comprei a lorota
Sobre algo chamado amor
É, algo chamado amor
Ora, isto é como hipnotizar galinhas

Bem, eu sou apenas um cara moderno
É claro que já tomei na orelha antes
Por causa de um tesão pela vida
Pois eu tenho um tesão pela vida

Tô valendo um milhão em prêmios
Com meu filme de torturas
Dirijo um GTO
Visto um uniforme
Tudo num empréstimo do governo
Tô valendo um milhão em prêmios
É, dei um basta em dormir nas calçadas
Chega de surrar meus miolos
Chega de surrar meus miolos
Com a birita e as drogas
Com a birita e as drogas

Bem eu sou apenas um cara moderno
É claro que já tomei na orelha antes
Porque eu tenho um tesão pela vida
Por causa de um tesão pela vida
Eu tenho um tesão pela vida


Dedicado a Dennis Hopper, Cazuza, Ginsberg, Roberto Piva e Kerouac, mortos que tem sido excelentes companhias nos dias que seguem...

Hoje foi o dia do Rock! :)

domingo, 4 de julho de 2010

O que importa é que ninguem bateu em minha porta

Eu estou assustado, Baby. Pelas coisas que não consigo dizer e são tão necessárias nestes tempos difíceis. Também pelas coisas que queria te dizer, que nem são tão necessárias, mas eu diria assim mesmo se as circunstâncias fossem outras. É que eu me acostumei a encontrar as palavras certas só nos momentos errados, e ontem a noite eu prometi que não deixaria isso acontecer novamente. Essa noite um cachorro latiu pra mim ferozmente enquanto eu caminhava pela rua, aquela sim foi um visão assustadora - quem sabe do que uma fera solitária é capaz? - porque eu acordei e percebi que aquela noite não seria mais um blues, eu me sentia numa noite urbana bem ao estilo do Lou Reed, quando ninguém que eu conheço escuta mais esse cara, isso não te deixa triste? Ele latiu pra mim enquanto eu estava voltando não importa de onde, algum desses lugares em que a gente vai pra esquecer que conhece tanta gente que não interessa e espera lá encontrar aquelas que valhem a pena, tudo ilusão, porque depois que a euforia toda passa só o que sobra são aqueles gostos na boca e aqueles cheiros que conhecemos bem. A noite, como ela consegue, me diz? Eu vinha andando e pensando que ainda há tempo para consertar tudo. E aquele latido me deixou sem esperança, desolado. Achando que tudo é solidão e vazio, você espera uma carícia e tudo que recebe é só um recado ameaçador. O amor não é como um conto de fadas, ele não se compromete com encontros fortuitos e muito menos com finais felizes. Não sei direito porque falei de amor. Esse demônio.... Mas não sucumbirei por causa de palavras que não foram ditas. Deixe esse saxofone tocar só um pouco mais, talvez um pouco mais alto para que possa quem saiba sufocar as batidas do meu coração.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lição de metafísica (Diálogo com Os Mortos)

O único problema da metafísica
É não ser dotada de sangue, de carne
É ignorar os escombros que sustentam os desejos;
É forçar a vida para além de si mesma e, nesse processo,
Abandoná-la;
(seria um desejo de morte?)
Mas então não é apenas um problema; São três.
Como a santíssima trindade,
Três deuses vis unem-se num só, tolo mistério:
Tal é seu segredo, não possui vida.
Destarte, afirmo:
Minha metafísica é o sexo,
Unico momento em que dois corpos ocupam o mesmo espaço,
Se fundem, se fodem
Suprimindo o tempo e espaço, assim é minha religião.
Se sua preocupação maior é nos fazer menos humanos,
Nos fazer convalescer de nossa existência tísica,
Qual será a meta
Da metafísica?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sob os Olhos de Selene


Triste e sozinha no frio planetário
Acostumada com as histórias tristes da Noite
Selene abraça o silêncio.
Cantando para si mesma os crimes dos seus filhos.

Seus raios azuis me encantam,
Refletem em minhas costas os caminhos que percorri,
De túmulos esquecidos, fogueiras e rostos distorcidos.
Seus pesadelos não me deixam dormir.
Todos os amores profanados parecem lembrar
Que eu não posso trazer Leonora de volta pra mim.

Minha paixão por ela avança pela noite
De bebedeiras e tragos que arruínam meu corpo,
E faço meu caminho de volta pra casa
Por entre corpos que a irmã psicose descartou
E cacos de vidro daquilo que sou,
Ampulhetas quebradas que tornam a funcionar
Marcando cada suspiro meu por onde vou.

Selene canta,
E sua voz é como essa chuva fina que cai.
Eu a escuto fiel, mas meu coração se distrai.
O covil que não posso chamar de lar
Parece assombrado quando iluminado por Ela.
Meus passos soam abafados,
O frio me segue pelo corredor,
Deito-me certo de que não é esse o meu fim.
Mesmo quando estou repousando
Sinto Selene repousar seus olhos sobre mim.

                                

                                           Janeiro , 2006.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Hiatos

Quem quer sempre preencher os espaços vazios, procura deus. Quem quer sempre preencher os espaçoes vazios, incomoda o silêncio. Quem quer sempre preencher os espaços vazios, não admira a quietude. Está sempre no ponto ascendente ou descendente da curva, não gosta da constância, está viciado no movimento e despreza a calma. E não sabe que no espaço entre um acorde e outro, também há música. Sabemos que a madrugada não é um espaço entre o dia e a noite, mas uma soberana em seu pleno direito, e nela coisas deliciosas e terríveis acontecem. Assim também é com o silêncio, a escuridão e todas as ausências, guardando belezas que jamais alcançarão quem teme espaços vazios porque não sabe que eles não estão nem um pouco vazios.

sábado, 26 de junho de 2010

Solitude

A Solidão é uma dama que cortejo mas que sempre escapa de mim em algum momento. Nunca sei ao certo o que fazer para que ela se entregue, que fique comigo e para que aproveitemos juntos momentos de rara satisfação. Se lhe faço convites, recusa. Se lhe proponho fugas, se esconde. Mas ainda consigo tê-la em meus braços. Nesses instantes, todo o resto vale a pena, toda essa triste vida. Solitário no sofá de minha casa, termino com uma garrafa de vinho desfrutando a liberdade que só encontro na companhia da solidão. Há quanto tempo não fazia isso! No entanto, essa Lady também tem seus caprichos. O que são essas noites frias de lua cheia? O que elas são capazes de fazer comigo? Chego a pensar que a Solidão, por si só, não é suficiente para aproveitá-la. É preciso algo mais. talvez alguém mais. É um convite. Venha e façamos uma menage, eu você e a Solidão.

sábado, 19 de junho de 2010

"Eu, o filho arredio. Não era com estradas que eu sonhava. Jamais me passava pela cabeça abandonar a casa. Jamais tinha pensado correr longas distâncias, em busca de festas para meus sentidos. Já sabia, meu irmão, desde a minha mais tenra idade, quanta decepção me esperava fora dos limites da nossa casa".

- "Lavoura Arcaica", Raduan Nassar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pela janela do meu peito
Algumas pessoas e paisagens têm livre acesso
Vez ou outra passa algum delírio que não foi autorizado;
Nem seria algo tão ruim, desde que
Já houvesse inventado um remédio
Que possa curar desejos que foram parar no lugar errado;

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Vinho do Solitário

O olhar sofisticado de uma mulher sensual
Que deliza para nós como um raio franco
Que a lua ondulosa envia ao lago branco
Quando nele ela banha sua beleza sem igual;

A ultima ficha entre os dedos de um jogador;
Um beijo libertino da magra Adelina;
Os sons de uma musica doce e felina,
Parecidos com o humano grito distante da dor;

Tudo isso não vale, ó garrafa profunda,
Os bálsamos penetrantes que tua pança fecunda
Guarda no coração alterado dos poetas feridos;

Tu lhes dá esperança, vida e infância,
E o orgulho, esse tesouro d mendicância,
Que nos torna vitoriosos e com deuses parecidos!

- Charles Baudelaire.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Escola do Silêncio


Trocando palavras por gestos, homem e mulher adentram aquilo que eles acreditam ser o vasto coração da noite. Ali, crêem eles, encontrarão um segredo que seja definitivo, uma certeza que seja inquebrantável. Eles se consideram sortudos, talvez privilegiados, por terem um ao outro, mas estão temerosos porque pode ser que isso não dure. Na verdade, é provável que não dure. Ele conhece as histórias das palavras que foram usadas até perderem seu sentido em confusões semânticas que na verdade não passaram de tentativas de fixar certezas; Ela já precisou enfrentar sozinha a escuridão fria quando haviam lhe dito que estariam do lado dela a qualquer custo, e ela não havia cobrado nada. E assim ambos tentam enfrentar a incomunicabilidade com silêncio respeitoso e ousado, suas vidas-colcha-de-retalhos construída no limiar da aurora e desfeita sob os raios lunares, e no coração da noite eles esperam apenas ver algo para além da lua cheia. São fiéis à noite. Mas as estrelas lhes traem: Sua luz enfeita mas também lhes rouba algo, em seus disfarces luminosos não contam se estão vivas ou mortas, traiçoeiras estrelas que derramam seu brilho mórbido sobre a alegria silenciosa destes amantes. Garoto e garota adentram a noite com passos cuidadosos, pisando sobre os restos de amores passados e até de alguns amores que nunca se concretizaram, emudeceram antes mesmo das primeiras palavras e se cristalizaram em pesados blocos de dor que sustentam o edifício sobre o qual se erigem outros romances que deram certo; Felinos, ambos espreitam a escuridão em torno deles com a curiosidade e o medo de duas crianças, cuidam da dor um do outro como só fazem sobreviventes de guerras ou fugitivos de manicômios, livram-se do que não é importante para que o peso morto das palavras não os faça naufragar cruzando mares infinitos de absoluta solidão. Com alguma coragem e muita sorte, eles chegarão a algum lugar que pode não ser o paraíso que eles idealizaram (pois como todos os amantes, eles não apenas são capazes de sonhar, mas de por um instante que seja, acreditar que tolos delírios podem vir a se realizar), mas atingirão algum ponto de rara tranquilidade em que possam descansar seus corpos exaustos de noites sem dormir. Algum lugar que faça ter sentido todos os contraditórios do amor, um lugar em que todo o contexto de miséria que criamos ao redor de tão bela palavra possa ser enfim descartado. Neste lugar, garota e garoto deitam-se de frente um para o outro, fecham seus olhos enquanto seus corpos se aquecem mutuamente contra o ar gelado, boca a boca, seus lábios quase se tocam, um deles se vê livre para enfim dizer: - „Silêncio, enquanto há tempo“...

domingo, 6 de junho de 2010

Domingo

Hoje não resisti e fui à feira comprar cebola. Na real, fui porque não consigo passar um domingo de manhã sem ir à feira e ver gente, me misturar um pouco, tomar uma cerveja, olhar nos olhos dos passantes, observar belas mulheres descontraídas que na noite anterior devem ter estado fatais. E já que estive lá, aproveitei para comprar cebolas e pimentas, porque sou daqueles que acha que temperos são dessas coisas da vida que nunca são demais - e existem muitas delas, ao contrário do que dizem alguns puritanos, pastores, psicanalistas e outros negociadores da fé alheia. Ontem li o texto de um cara que devora todos os dias seu horizonte, com muita cebola, alho e salsa e depois sai pra encarar a vida. Eu sou mais ou menos assim. Meu horizonte andou um tempo bem intragável, com gosto de cerveja quente e gordura, cozinhei-o demais e passou do ponto. Arrumei outro para mim. Falta temperá-lo, mas isso eu busco na feira, no bar, nas ruas, em camas, em livros, filmes, nos ontens e amanhãs sempre bem-vindas, na estrada e sua calma perigosa, até na falta do que fazer. Fiz uma aposta muito alta pra perder assim tão fácil. Não tem a ver com estar pronto pra fazer o que quer que seja, mas de fazer de qualquer jeito.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Velhas novidades nos jornais

Se houver alguma justiça no universo, venha de onde vier, no fim só restaremos nós mesmos, vivos, trocando confidências em torno de uma mesa ou caminhando por ruas quietas. Não eles, que bloqueiam portos e atacam embarcações humanitárias; não eles, os procuradores que espancam crianças; não eles, os policiais que humilham adolescentes. Mas, ao que tudo indica, não haverá justiça. Então vivamos assim mesmo. Mas que seja vida de verdade,  só para sabotar o plano deles de nos transformar em seres mais brutos que eles mesmos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Here we go again

"A atriz chorando nos bastidores em meio aos outros atores ela solitária queria mesmo era ser secretária meu Senhor fui parar nessa não sei como as coisas na vida acontecem sem explicação as coisas na vida acontecem longe do chão as coisas na vida às vezes vão pelos caminhos do não. E ela ainda tinha que aguentar os canhões de luz".  - Greta Benitez

Só pra dizer que estou de volta ao jogo, ao que parece. O jogo é sórdido, triste às vezes, e as coisas sempre tendem a caminhar sem precisar de explicação, dependendo tanto da sorte quanto de competência e ousadia. Perdi um pouco disso tudo recentemente, mas não vou terminar feito Elvis, gordo e entupido de remédios, antes disso jogarei com as cartas que me restam, contando sempre com a cumplicidade de todos que encontrei pelo caminho, e que nem sempre deixei devidamente claro o quanto são importantes. Então, vamos lá, On The Road, again. E isso signfica três coisas: 1) Que tudo volta a estaca zero, como se eu tivesse chegado aqui ontem, e esse lugar, a bebida e o piano sou eu quem vou inventar; 2) Que o trabalho volta a ser só um detalhe, e por isso mesmo agora trabalho sem peso e bem-feito, sem a enrolação característica; 3) E essa história de planejar o futuro, ser uma pessoa séria e cuidar da minha saúde vai ter que esperar mais um pouco.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ergam suas taças

Porque alguém que escreve poesias tão lindas que definitivamente merecem serem lidas repetidas vezes, terá um livro publicado. Espero que seja o primeiro, não o único, que o impulso criativo não cesse nunca, pois, como disse Gullar, a arte existe porque, a vida por si só, não basta.

www.baoba-blog.blogspot.com

Parabéns Fernanda.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Uma Fumante


Observo enquanto ela se afasta
Pisando leve em buracos na calçada
Sua marcha tênue
Os contornos de seu corpo
Que surgem para mim como uma arte mais que delicada;

Estas ruas não foram feitas pra você,
Mas para mim:
Sutil pecador de pensamentos perigosos
Filho bastardo de qualquer noite mal-dormida
Que foi seduzida por doses de Conhaque e Gim;

Pois é você a filha privilegiada da noite.
Primogênita do Sonhar,
Seu andar revela uma natureza
Muito acima daquela que me é familiar.
Daí este fascínio,
Por tudo em ti que significa mistério.

Meus olhos te seguem
Muito depois de já teres desaparecido de minha vista;
A fumaça de seu cigarro permanece,
Traçando no ar formas confusas à essa consicência,
Padrões de beleza irrestrita,
Que no entanto
Servem apenas para tornar mais dura essa ausência.


Possam meus olhos contemplar esse espetáculo
Uma vez mais;
Queira minha pele sentir ainda este toque;
Queira o meu corpo o calor de noites infernais;
Queiram minhas mãos a volúpia de teu seio
E meus lábios experimentarem
O cigarro que abandonaste,
Buscando nele uma lembrança qualquer de teu beijo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

É mais ou menos isso






"O problema com a bebida é que se te acontece alguma coisa ruim, você bebe para esquecer. Se acontece algo bom, você bebe para celebrar. E se não acontece nada, você bebe para que aconteça alguma coisa".

domingo, 23 de maio de 2010

O Torrão e o Seixo

"O Amor jamais a si quer contentar,
Não tem nenhum cuidado com o que é seu;
Pelo outro irá se sacrificar,
E, no desespero do inferno, ergue um céu"

Esse era o canto de um torrão de terra,
Pisado pelas patas da boiada;
Mas um Seixo, nas águas do regato,
Modulava essa métrica adequada:

"O Amor só a si quer contentar,
Atar alguém ao próprio gozo eterno;
Alegra-se quando o outro perde o bem-estar,
E, a despeito do céu, ergue um inferno."

- William Blake (trad. Paulo Vizioli)

sábado, 22 de maio de 2010

E as cartas?

Lembro de nossas ligações de madrugada.
Lembro do teu jeito meio-gótico, meio-nerd.
Lembro da tua voz, de você falando do planeta de onde vim.
Da tua má-vontade com Led Zeppelin.
Lembro até dos teus amigos que nunca conheci.
Lembro de teus desenhos.
Lembro de ficar sozinho no quarto, escutando
Os berros de Kurt imaginando se você estaria fazendo o mesmo,
Porque era um sabádo ensolarado demais e você não sairia de casa.
Lembro de ficar gravando fitas K-7 com musicas que você gostava
E apagando logo depois porque sabia que você já tinha todas elas.
Lembro da ansiedade quando o relógio na parede
Se aproximava da meia-noite e você poderia ligar.
Lembro de procurar mil verbos diferentes pra dizer a mesma coisa:
"Eu te amo".
Lembro quando a caneta ficava pesada demais e
Eu não conseguia preencher a folha em branco pra te mandar
Porque até hoje as palavras parecem ingênuas demais pra certas coisas.
Lembro do tempo em que haviam cartas.
Sim, haviam cartas, e muitas vezes elas me salvaram.
Houve um tempo em que as cartas chegavam, sweet relief.
Sim... e as cartas?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Futuro do pretérito - nada é perfeito.

 
Poderia ser tão fácil quanto saltar dentro
De um vagão de um trem de carga em movimento;
Tão bonito quanto um vestido vermelho rasgado
E abandonado na calçada;
Tão irreverente quanto uma estória de Henry Miller;
Tão imprevisível quanto um drible de Garrincha;
Tão alegre quanto um domingo sem missa;
Mais perigoso que a Praça Paris à noite;
Tão nosso quanto os sonhos de qualquer pessoa;
Mas não foi nada disso.
Você preferiu que fosse triste como um toca-discos quebrado,
E com um final tão insosso quanto uma novela do Manoel Carlos.

Ca-ra-lho!

Essa semana aconteceu em Brasília uma audiência pública que tinha como objetivo discutir o Estatuto da Família - uma espécie de código-mapa das uniões afetivas no país. Um dos principais tópicos era o da extensão dos direitos concedidos a casais hetero-afetivos a homo-afetivos. Direitos como a união civil, adoção e guarda dos filhos, direitos previdenciários e de herança, por exemplo. Como era de se esperar, o debate foi polarizado entre os defensores da "causa" e seus opositores, na maioria, religiosos. Na maioria não. Todos os opositores representavam instituições religiosas. Entre eles, o infame Silas Malafaia. Segundo este senhor, se a união entre homossexuais fosse oficializada pelo Estado, também deveriam oficializar o sexo com animais e com cadáveres. Para ele é a mesma coisa. Sua declaração: 

“Vamos colocar na lei tudo o que se imaginar. Quem tem relação com cachorro, vamos botar na lei. Eu vou apelar aqui. É um comportamento, ué, vamos aceitar. Quem tem relação com cadáver, é um comportamento, vamos botar na lei.”

Vejam bem que não se trata de ignorância, e sim de homofobia pura e simples. Esse sujeito é o mesmo que, num programa na TV aberta, ofende diretamente homossexuais, praticantes de Candomblé ou qualquer um que seja diferente. do que proclama sua tal fé. Já faz três anos que esse projeto de lei está emperrado, por conta dessa ala evangélica e católica no Senado. A Argentina, recentemente, aprovou em mais uma insância a lei que permite a união civil de casais homossexuais, só faltando a aprovação definitva no senado, o que tem grandes chances de acontecer. No Brasil, parece que ainda falta um pouco mais. A despeito de tudo, vale a pena dizer que, há três anos, estes senhores impediam até mesmo que o tema fosse discutido. Isso ao menos já mudou. Mas ainda é pouco. E vale dizer que, mesmo que, institucionalmente hajam mudanças, comportamentos não se alteram com canetadas. Esse sujeito, e outros tantos, vão continuar existindo, falando. Pesquisas como as da Universidade da Califórnia, esta semana, demonstram o tipo de sofrimento que indivíduos passam no momento de se declararem homossexuais para suas famílias. 8 em cada 10 teriam probabilidade maior de cometerem suicídio. 30% das famílias reagiram mal à notícia. Talvez os numeros aqui no Brasil não seriam muito diferentes (exceto sobre suicídio, que é sempre complicado de se fazer afirmações desse tipo). Como não responsabilizar tais discursos?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lucky Strike!

De minha parte, não duvido de mais nada.
Um salgado na esquina, um computador quebrado,
podem mudar a vida de alguém!







Mas que foi um puta de um "lucky strike", isso foi...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cuidado, O Mundo está Atrás de Você


Acordei com uma sensação louca de urgência. Com se tudo tivesse de ser feito a um só instante, sem espaços vazios ou pausas para tomar fôlego. Desrespeitar totalmente a antiga sabedoria que diz que cada coisa deve ter seu tempo e uma coisa por vez. Sofrer as consequências de tal afobação, de tamanho desespero sem nenhum encanto, apenas respondendo a esse impulso súbito. Encurtar todos os prazos, atropelar todas as horas, realizar bem ou mal todas as tarefas, toma-la nos braços e beijá-la de uma vez, pegar atalhos para chegar  logo, e escrever poemas no vento enquanto caminho. Não sei de onde veio essa necessidade, mas ela está aqui comigo. Talvez por causa das obrigações que se acumulam em minha mesa, talvez porque tenho adiado decisões importantes, talvez porque não fale há muito com algumas pessoas importantes pra mim. Ou talvez devido ao sonho desta noite. Ei-lo:

Eu estava parado numa encosta, um desfiladeiro enorme, com uma multidão atrás de mim que cantava e dançava. Eu apenas olhava para baixo, aos pés deste desfiladeiro o mar selvagem, jogando suas ondas contra as pedras nesse movimento de paz revolta que meu coração adora. Eu ficava ali parado, desejando que aquilo não acabasse, me sentindo bem. Eu olhava para o mar, esta morada secreta, mas com o canto do olhos podia ver a multidão se agitando, seres com enormes garras afiadas cruzavam o meio deles cortando gargantas, rasgando peitos, e desse espetáculo eu só conseguia ver quantidades hediondas de sangue manchando o ar, não ouvia gritos nem nada mais. A minha frente estavam as ondas e atrás a carnificina, que vinha se aproximando de mim, como em um movimento irrevogável e, tal como o anjo de Klee de asas abertas frente ao futuro aterrador, sabia que logo seria minha vez. Adiantei um dos pés, fiz um movimento de me precipitar naquelas águas, mas algo me dizia que ainda não era hora. Ainda haviam coisas a fazer, rostos para ver antes que fossem retalhados pelas garras letais do Inevitável. Me virei, de frente para todo o frenesi sangrento, sabendo que a partir de então haveria pouco tempo antes da queda.

E foi assim que despertei, Com uma sensação louca de urgência. À minha frente, um bilhete que há algum tempo pus no meu armário: „Faster, my friend, the world is behind you“.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cigano

Num outono qualquer, aprendeu a ler as mãos. De terceiros. Mas nada de linhas, eram as mãos seres autônomos, independentes do resto do corpo, cheias de vida própria e desejos tão incomprrensíveis quanto reveladores. Os movimentos, a superfície da pele, os toques, a cor, o cheiro, tudo nas mãos lhe surgia como uma ligação do indivíduo com o infinito. Haviam mãos cansadas pelo labor diário que constrói a máquina; mãos furtivas que perturbam a paz de quem se deixa tocar; as assassinas e as inquietas,  que determinam a danação de seus donos; mãos com estilo, belas como o olhar misterioso dos gatos; Bastava olhar para dois amantes de mãos entrelaçadas e saberia dizer quando se separariam. Podia ver alguem dedilhando uma guitarra e saberia qual o blues mais adequado. Dependendo do modo como uma mão de dedos longos e unhas vermelhas segurava um cigarro, poderia dizer se ela era feliz. Leu as mãos de todos os seus amigos, e lhes trouxe boas novas. Leu as mãos de empresários, e previu suas falências. Leu as mãos de loucas, dançarinas, prostitutas e escritoras e se apaixonou por todas elas. Mas não podia ler as próprias mãos. Tentou diversas manhãs, duzentas madrugadas, mas não conseguia. Tentou ensinar seu dom a sua amante mas tudo em vão. Uma noite, sentado à beira-mar, com uma garrafa de vodka, passou quatro horas e vinte e três minutos observando as próprias mãos, e só via marcas de cigarro, sinais de nascimento, pontas de dedos amareladas e furos de agulha. Esvaziou a garrafa, e chorou. Nunca mais souberam dele. Mas uma vez ou outra surgem estórias de um homem em algum lugar, não se sabe se em Londres ou no Marrocos, capaz de beijar sua mão como se adivinhasse um segredo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Canção da Jovem Louca


Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para
a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo
do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com
estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Sylvia Plath

Tradução de Maria Luíza Nogueira

Mr. Seigal

"Mas você tem que me dizer, Mr. Seigal
Como é que os fracos são tão fortes?”

Mr. Tom Waits, sempre tão lúcido.

Novela

Porque ele não tem ritmo
Fica sentado sozinho em casa;
Porque ele não tem ritmo
É o cara mais solitário na cidade.

sábado, 24 de abril de 2010

A estrada e uma certa idéia absurda de Infinito

Ela me mandou parar de reclamar do ruído do motor de sua motocicleta (ou sua Chopper, sei lá), disse que ela era velha mesmo e era melhor eu me acostumar, essa seria a carona. Tirei um dos fones de seu ouvido e coloquei no meu, escutava Koko Taylor, claro. Falei pra ela de uma noite num copo sujo em Curitiba que tinha Koko Taylor na jukebox, aquilo era inacreditável e daí...ela me manou parar. Odiava caroneiros que contavam histórias. Justo. Entendo ela. Perguntei se devia ficar calado. Sim, mas ela preferia observadores a contadores de histórias, que tudo que fosse dito se restringisse ao que acontece agora, ao que vemos, sentimos e fazemos, e não ao passado glorioso. Veio aquele gosto amargo. Na primeira estória que contasse, seria impiedosamente atirado na estrada, fora da motocicleta (da Chopper - algumas pessoas são muito sensíveis quanto às palavras e as coisas) e fora do sonho. Então me calei. "O silêncio é sexy", disse. E o espirito estava ali. Então seria assim. Eu deveria me comportar como uma Sherazade às avessas, ameaçado de ter a cabeça cortada logo na primeira estória, condenado a mante-la desperta atenta como um observador dos fatos, dos mais ordinários aos mais fantásticos, mas apenas aos fatos. E assim atravessaríamos o continente, a doce Terra, acompanhados de musica e do ruído de um motor surrado, olhando sempre pra frente, pra frente...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tabacaria

Esse trecho está no finzinho do poema, e muita gente não chega por não gostar de poemas grandes... Mas eu amo esta parte, assim como amo o todo.



Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.


Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

Fernando Pessoa.

E a falta de inspiração continua...

Impossível escrever aqui. A não ser que alguem queira ler sobre Mead e microssociologia. Enquanto isso, vou postando coisas alheias, que eu gosto. Espero logo voltar a retirar poesia do fundo de uma garrafa de qualquer coisa, ou quem sabe colhê-la dos lábios de alguém... Até lá.

VAUDEVILLE

(letra: Nenê Altro)

E quem disse amor, que não há charme
nos garotos com flechas nas pálpebras?
E quem disse amor, que quebrar vidraças
e não ter certeza de mais nada
não aquece o peito?

Outra bebida então.
Tudo bem.
Café seco beija a garganta
quando a cidade acorda e a luz queima
nossos passos de volta pra casa.

"Me conta teus desejos". Ele diz.
"Sabe, eu tento o meu melhor
só para te ver bem e em tentação".

Diz por que não querer
Tolice não deixar chegar tão longe.

É poesia amor, não é medo.
Por quê segredo e por quê não falar?
Se teu sorriso é o que mais desejo
e teu pecado é o que mais me importa.

Este mundo não merece a nossa tristeza
e se é a vida então, não há porque deixar de ser.

Diz porque não querer.
Tolice não deixar chegar tão longe.

Minha culpa,
minha máxima culpa... é tão nossa,
pois quem disse amor que não há
charme nessas flechas que se beijam
quando dormem os medos?
E sabe amor, já não há
como conseguir parar todos os erros
viciados que aprendemos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Hora do Lobo (ou Quando o sono não chegar)

E tem aquele filme do Bergman em que o Max Von Sydow é um escritor que não consegue mais dormir, porque ele teme o anoitecer, a hora em que as sombras tomam conta de tudo e o silêncio faz com que você duvide dos sons que você ouve, e o jeito é ele ficar acordado a noite inteira; Você percebe que o cara está pirando, imagina, semanas dormindo cada vez menos, ele obriga a sua companheira a ficar acordada pra manter ele acordado, o desgaste físico, emocional é enorme. Existem seres a espreita que só saem à noite, na hora do lobo, e derrubam coisas, fazem barulho, ameaçam simplesmente com a possibilidade de serem reais. Mas na verdade ele está atormentado pela culpa de algum crime cometido nessa hora sombria, algo do qual ele não mais quer fazer parte até que, finalmente surtado, ele é arrastado de volta para a escuridão, abrindo mão de recuperar sua paz e seu sono, mas a loucura é um caminho sem volta. A insônia é uma cortesã serva da loucura e do mal, e não adianta deixar a luz acesa pois um breve piscar de olhos basta para que você encare sua face horripilante. Real como só o medo pode ser, uma face vazia na escuridão de um quarto. A voz do nada, foi isto que escutei quando silenciaram todos os gritos. A hora do lobo. Terrível ter que escolher entre o pesadelo e a insônia.

Sem assunto e sem sono


Tenho me ligado em geometria.
A menor distância entre dois sorrisos é um beijo.
Deve ser.

Sem assunto...

"Pois o banheiro é a igreja
De todos os bêbados..."

A coisa mais beat que o Cazuza escreveu.
Faltou dizer que a privada é o altar.

domingo, 11 de abril de 2010

Cantada

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana

- Ferreira Gullar

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Polly Jean Harvey


 
No período mais “rocker” da minha vida, ela era minha Billie Holiday. Sempre amei o jeitão “outsider” das suas musicas, sua voz ora rasgada como um blues cortante, ora suave e delicada em melodias sensíveis, às vezes quase sussurrando um convite. E nem precisa dizer que sempre achei bem sexy essa mistura de sarcasmo, doçura, melancolia, sua inteligência e atitude; Ficava ali no chão deitado por horas escutando seu álbum mais recente, falando sobre as delícias e perigos de Nova York, ela, uma britânica que se deixa encantar por essas coisas, Robert De Niro ou o Empire State Building. E Polly Jean era cheia de sensualidade também, quando queria, insinuante, provocativa. Como ignorar o duplo sentido de “Deixe-me cavalgar em sua graça por um instante”? E quando ela canta sobre seu amante negro em “Meet Ze Monsta”?  Ela era minha Billie Holiday, minha amante encantadoramente sombria, feroz, excitante e brilhante, e hoje, ouvindo de novo suas musicas, tenho vontade de voltar àqueles dias. Fico escutando sua guitarra gemendo, quase fazendo sexo com sua voz em alguns momentos. E fico imaginando coisas perigosas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Canção da saudade

Quando foi que cortaram as minhas asas e eu nem percebi?
Que faca foi essa que usaram,
Que fez com que as cicatrizem queimem até hoje?
Afinal, pra onde vão aqueles pássaros que sobrevoam o mar?
Pra onde vai a solidariedade proletária, fracassada a revolução?
A primavera dos povos se foi,
Nos resta então o inverno dos corvos e a dialética dos porcos?
Quem me ensinou essas preces loucas que eu repito
Só em meu quarto depois de doses de conhaque?
"Suave é a chuva fina que perturbou a minha calma";
Essas palavras acaricam minha face e me aquecem,
Como uma lareira para minha alma torpe,
Embrutecida por ter falhado na simples tarefa
De apanhar as crianças no campo.

Não se preocupe...

Não, você não lotou minha caixa de e-mails. "Lotar a caixa de e-mail", inclusive, tornou-se já obsoleto nessa era de e-mails de capacidade infinita. Mortal nenhum utiliza mais de 10G em e-mails, mas eles estão aí. Assim, nunca conhecemos o limite, e nunca o ultrapassamos, nos contentamos com a ilusão da transgressão. E como conheceremos nossos limites se não chegamos até ele? Não interessa. Auto-conhecimento não está muito em voga. O importante é nos sentirmos livres, ilimitados, como se tudo pudesse continuar crescendo, avançando, infinitamente. Tecnologia, drogas, sexo, juventude, tudo está ficando ilimitado. Nunca terei o prazer de abrir minha caixa de e-mails e perceber que não cabem mais mensagens lá de tanto que você me escreveu. E eu perderei a oportunidade de, através do choque, ter mais uma prova física do quanto você se importa. Não importa quantos e-mails houverem, ainda há espaço para muito mais. Sempre haverá. E nunca conheceremos a dose derradeira de coisa alguma nem por um segundo notaremos nossas sombras estafadas por um dia que não deveria ter sido, mas pelo qual passamos, sobrevivemos e sabemos que não irá se repetir. Estamos na contramão de tudo mais uma vez. Alguns físicos estão certos de que o universo é finito. Cuidado, em breve nos chocaremos contra o muro de concreto de nossas mais loucas ambições, já sem combustível para a viagem de volta.

"Jamais saberemos o que é suficiente enquanto não soubermos o que é mais que suficiente".

- William Blake.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Muito importante:


"Seja paciente com tudo que não está resolvido em seu coração, e tente amar as questões por elas mesmas. Não procure pelas respostas que não podem ser dadas, pois você não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo o que há. Viva as perguntas agora e talvez, sem se aperceber disso, algum dia, você conviverá com as respostas"

Extraído de: Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta.

- Hoje isso é tudo que quero, tudo que almejo.

domingo, 4 de abril de 2010

Registro de uma noite


Quando eu olhei para o lado, vi alguns rostos felizes que também me faziam feliz, isso me marca graciosamente toda vez que acontece. O que dizer de noite tão audaz, que nos pegou pela mão e sempre que o pensamento de desistir apareceu, havia algum sussurro para mandá-lo pra longe? Noites assim fazem o inexplicável ganhar um sentido, nem que ele dure somente aquela noite. Mas a recordação, essa fica guardada em algum recanto seguro, como uma carta que você guarda num local mágico longe das traças do desengano. Noites assim celebram a si mesmas por existirem, você não precisa forçar nada e tudo que você tem a fazer é se jogar. Ir. Não, a vida nem é assim tão fácil, mas nós podemos fazer parecer. Simples, deliciosamente simples...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Deixa eu bagunçar você

Durmo na esperança de sonhar contigo Acordo somente pro desejo de te encontrar Menos que obsessivo, meu amor por você é abrigo ...