"Morning Light" (Maxzorn).
sábado, 20 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Sob o Tapete Vermelho
Banda: Ludovic.
"Saiba que eu lembro bem de cada frase dita,
De cada passo em falso, de cada pequena encenação.
Sobrou alguem que você não condena?
alguem que você se arrepende de ter deixado pra trás?
Eu quero fugir pra onde ninguem me conheça
Retomar a minha vida do ponto onde ela parou.
Bondade sua ouvir tão desatenta
Queixas do lado mais fraco,
De quem não se recompôs.
Que estendam o tapete vermelho
Que comece o desfile de mágoas.
Sem sequelas, sem qualquer problema
Só as marcas de abandono que ardem em tudo
Em que você já encostou".
segunda-feira, 15 de julho de 2013
15 de julho é o aniversário de nascimento de Ian Curtis. Se estivesse vivo, ele faria hoje 57 anos, mas, ele morreu aos 23. Se não deixou uma obra assim tão impressionante, ela foi seguramente marcante pra grande parte dos que estiveram em contato com ela. Joy Division foi uma descoberta importante demais pra mim para que eu me esqueça. Para o bem e para o mal. Afinal, até eu reconheço que dançar ouvindo Disorder ("I've been waiting for a guide to come and take me by the hand/Could these sensations make feel the pleasures of a normal man?") não é algo lá muito saudável. Mas me lembro de quando comprei e escutei o vinil de "Unknown Pleasures", e um mundo de certa maneira se abria. Havia ali um cantor de rock interessado em expor certas obscuridades e dores não à maneira de um Kurt Cobain, mas de um esteta das sombras do espírito humano. Muita coisa na minha vida teve a ver com Joy. Meu primeiro romance com uma garota esteve intimamente ligado a essa banda, com toda intensidade e, digamos, "morbidez" que isso acarreta. Lembro de um dia em que ouviamos Joy Division no quarto a noite toda, enquanto os tiros pipocavam lá fora e nós aumentávamos o som para abafar esse barulho. Essa indiferença, se não nos tornava as pessoas mais corretas do mundo, não nos fazia de maneira alguma insensíveis ao que acontecia. Mas nossa fascinação com o horror nada tinha de parecido com essa das pessoas que sentam à mesa na hora do almoço assistindo o banho de sangue dos noticiários policiais. Nos abraçávamos e sentíamos por toda a dor à nossa volta, mas ao nosso modo, torto. Era um interesse profundo em toda sorte de mazela que transformava-se em musica e não passava despercebido em nossas almas. Hoje, mesmo não escutando tanto a sua musica, ela ainda me leva de volta a episódios relevantes de minha vida. "O passado é um lugar estranho", diria Morrisey. E eu bebo a isso. Espero que você tenha encontrado sua paz, Ian.
And dance for the radio.
"Escute o silêncio, deixe-o soar.
Os olhos, lentes cinzas escuras com medo do sol.
Teríamos um momento bom vivendo a noite,
Deixados à destruição cega,
A espera de nosso olhar.
Nós poderíamos seguir em frente como se pensássemos que nada está errado
Escondidios destes dias, permanecemos sozinhos,
Ficando no mesmo lugar, simplesmente fora do tempo
Tocando à distância,
Mais longe a cada momento.
Bem, eu poderia chamar quando as coisas ficarem difíceis
As coisas que aprendemos não são mais suficientes
nenhuma linguagem, apenas o som,
É tudo que precisamos saber para sincronizar o amor
À batida do show.
E dançar, dançar, dançar, dançar para o rádio".
domingo, 14 de julho de 2013
Foi meio que esperar ansiosamente por meses pela chegada do inverno e quando isso finalmente acontece, continua tão quente quando o resto do ano. E com direito a tempestades violentas nos piores dias. Fazer da vida uma longa espera pode ser uma tática covarde de distanciamente, mas para algumas almas não existe outra solução. Tendo dito isso, que fique claro que esse não é o meu caso. Eu não tenho que esperar por nada, se espero, ainda é por algum resquício de esperança de que não há de ser sempre assim e é por isso que eu adio as mudanças drásticas que se impõe e que me trarão tantas perdas mas também alguma paz e tranquilidade. Não é para fazer sentido mesmo. Ontem à noite tive a oportunidade de experimentar um pouco desta paz que se anuncia e que espero trazer para os meus dias, ainda que para isso matando um pouco daquilo que tanto aprecio em mim. Tudo aquilo de que mais me orgulho está fora de mim, está projetado em outros lugares e fazer isso é tão venenoso quanto entregar-se a esperar, esperar e esperar. E acredito que agora consigo ficar até feliz por pensar assim.
Musica "Ganas de Vivir", de Juan Suarez
Cena do filme "El Mariachi".
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Minuano
Eu não sentirei mais frio.
No mínimo, ele não doerá mais tanto;
Aponto os refletores para mim e sua luz,
Que me ilumina e me aquece
que exibe meus defeitos e belezas
que me destaca e me ofusca há de ser um candeeiro
Nas noites frias e chuvosas que me ameaçam com seus trovões
E eu me exibo sem pudor sob a luz de um milhão de sóis e ainda assim
Mais delicada que uma vela
Numa casa sem eletricidade.
Não sentirei mais esse frio,
esse frio particular e denso
Que cai mesmo nos dias mais quentes,
Pois tenho esse sorriso que me acolhe
Essas palavras que me alcançam no fundo do poço
Na calada da noite
Nas entranhas do tempo e
nas entrelinhas do verso perdido entre papéis empoeirados.
Sentirei antes o frio que é nostalgia, saudade
O frio que é encanto
E a solitude num canto qualquer da cidade.
Mas este frio que é falta de carinho, de atenção
De um gesto de delicadeza qualquer,
Esse eu não mais sentirei, determinado que estou
A fazer destes meus pequenos erros diários
Uma fogueira onde a inocência queime como o mais puro dos combustíveis.
sábado, 6 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Um Pequeno Sopro de Você
Você se lembra de quando Satanás te tirou pra dançar e você, sem ter outra escolha, saiu para trocar alguns passos com ele? Eu murmurei um lamento quieto, resignado, pois sabia que aquilo não era o que você merecia. Trancado em mim mesmo, eu esperei o seu retorno, pronto para cuidar de suas feridas tão logo você voltasse de sua temporada no inferno, preparado para não permitir que ficassem sequer cicatrizes daquele encontro. Mas você não permitiu que eu me aproximasse com meus unguentos e curativos. E você se lembra de quando, solitários mas não inocentes, nos trancamos no quarto ouvindo o caos do outro lado da parede, festejando com jogos eróticos a sagração da primavera e desejando a todos do lado de fora o torpor que sentíamos em nossos corpos, rindo de nossa solidaderiedade canhestra? Você lembra das cartas que eu pus em garrafas atiradas ao mar ciente de que chegariam ao destino mas sem saber ao certo de suas respostas? Eu escrevia-as com certa displicência, mas era meu coração que eu colocava ali, sem medo das agulhas que o atravessariam uma vez derramado meu sangue no papel. Você se lembra das noites e dos dias, dos corredores, dos olhares indiscretos? Da pólvora, dos gritos, dos olhares indiferentes, do gosto de sangue e saliva, de que tudo ali que era mesquinharia mas ainda assim permeado de carinho? E dos felinos estremecendo e inquietando-se diante de nossa passagem, você se lembra? Você se lembra que poderíamos em algum momento ter sido nós dois, mas preferimos continuar eu e você, a despeito do incêndio causado pelo calor de nosso encontro? Se escrevo estas memórias, é porque esta canção não estará na boca de ninguém. O fim do mundo está tão próximo e me dói pensar que não o festejarei adequadamente, isto é, a seu lado.
Foto: Francesca Woodman
sábado, 29 de junho de 2013
"As ninfas giram como moscas neste espaço sem nome, mas você é a Abelha Rainha que eu desejo. Deslumbraram-me os seus olhos, o inferno que te habita. Farei que estranhe o meu delírio. Minha verga atravessará o seu sorriso e inundará o seu vazio como um deus perverso. Minha carne penetrará a sua carne, minha morte em sua vida, o meu silêncio em sua voz."
- Efraim Medina "Era Uma Vez o Amor Mas Eu Tive Que Matá-lo", trad.: Adriana Zapparoli.
Estêncil: 7 Capetas
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Sequela
Noites longas. Repara
como há quanto tempo
és funcionário da vida
e te arrepia o que o mercado
possa fazer do teu produto -
antes ficar quieto, a olhar
para as estantes, tentando
perceber se não escreves
o poema por te faltar
a inspiração (se é
que gostarias
de saber o que te falta)
ou por todos os prazos vencidos
e o que contemplas
serem os avisos repetidos
de uma derrota previsível.
(João Alberto Oliveira)
como há quanto tempo
és funcionário da vida
e te arrepia o que o mercado
possa fazer do teu produto -
antes ficar quieto, a olhar
para as estantes, tentando
perceber se não escreves
o poema por te faltar
a inspiração (se é
que gostarias
de saber o que te falta)
ou por todos os prazos vencidos
e o que contemplas
serem os avisos repetidos
de uma derrota previsível.
(João Alberto Oliveira)
terça-feira, 25 de junho de 2013
Sobre a Solidão (II)
"Eu sou um solitário que sente falta de dividir, sabe como é? Mostrar uma música nova que acabei de ouvir, ler um trecho de um livro que me arrebatou. Falar "eu vi um filme ontem muito foda. Vamos lá ver hoje de novo?". Porque eu quero ver se ela se arrepia no mesmo momento que eu me arrepiei na primeira vez, tá ligado? O sexo é importante (aliás, é fundamental), as brigas são inevitáveis e inclusive deixam o castelo de pé, não sei se vocês já perceberam isso, mas o mais importante mesmo é você acordar no meio da noite com vontade de falar "caralho, tive uma ideia genial para um texto. Quer dizer, nem é tão genial assim, mas será que você tinha a manha de ouvir?" e andar abraçados na chuva, sem falar porra nenhuma e sentar num banco no final da tarde e imaginar telhados de Paris (Nei Lisboa), cervejas chilenas e motoristas de táxi que demoram pra chegar no nosso destino. É isso que me fode. Ah, se não fosse isso, seríamos todos muito felizes, sozinhos."
- Mário Bortolotto.
Na foto: Tom Waits e Rick Lee Jones, felizes.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Sobre a Solidão (I)
Pegue um lápis e marque um ponto
no centro de uma folha:
A solidão é tudo que está em volta.
- Alice Sant'anna
Ain't no Love in the Heart of the City
"Ain't no love in the heart of the city
Ain't no love in the heart of the town,
Ain't nomlove, sure 'nuff is a pity
ain'y no love 'cos you ain't around".
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Violência, não!
Pichei seu nome num muro
Junto com um pedaço de uma canção.
Escrevi certo por linhas tortas
E você não pareceu me dar atenção.
Deixei meu recado ali,
Torcendo para que ele fosse visto por toda uma multidão
Em meio a cartazes, gritos e placas, ele se destacava;
Uma representação pálida,
Uma tentativa fugídia de liberar um grito
Repreendido no fundo de meu peito, perdido
Nos irritantes erros que cometi em nome desta paixão.
Nada disso me incomodava enquanto,
De lata de spray em punho,
Inscrevia nas artérias da cidade que meu amor tinha nome.
Algumas letras que me cortavam o peito, arruinavam meu sono
e injetavam de sangue meus olhos.
A unica coisa que não consegui entender foi por que,
Vendo-me pichar no muro teu santo nome em vão,
Barulhentos transeuntes gritavam sem pudor:
"Violência, não".
Junto com um pedaço de uma canção.
Escrevi certo por linhas tortas
E você não pareceu me dar atenção.
Deixei meu recado ali,
Torcendo para que ele fosse visto por toda uma multidão
Em meio a cartazes, gritos e placas, ele se destacava;
Uma representação pálida,
Uma tentativa fugídia de liberar um grito
Repreendido no fundo de meu peito, perdido
Nos irritantes erros que cometi em nome desta paixão.
Nada disso me incomodava enquanto,
De lata de spray em punho,
Inscrevia nas artérias da cidade que meu amor tinha nome.
Algumas letras que me cortavam o peito, arruinavam meu sono
e injetavam de sangue meus olhos.
A unica coisa que não consegui entender foi por que,
Vendo-me pichar no muro teu santo nome em vão,
Barulhentos transeuntes gritavam sem pudor:
"Violência, não".
sábado, 15 de junho de 2013
Minha Cúmplice, Minha Irmã, Minha Amante
"E eu que ri quando te espiei
Cantarolando em frente ao espelho;
A menina mais bonita com quem já feri meus ingênuos olhos provincianos".
(Jair Naves)
segunda-feira, 10 de junho de 2013
"Eu lembro bem de você no Hotel Chelsea
Você falava tão doce e bravamente
Fazendo-me sexo oral na cama desarrumada
Enquanto as limusines esperavam lá fora na rua
Esses eram os motivos e aquela era Nova York
Nós perseguíamos o dinheiro e a carne
E isso foi chamado "amor" por aqueles que fazem canções
Provavelmente ainda o é para aqueles que sobraram
Ah, mas você foi embora, não foi, Amor?
Você simplesmente voltou para o meio da multidão
Você foi embora e eu nunca te ouvi dizer:
Eu preciso de você, eu não preciso de você
Eu preciso de você, eu não preciso de você
E tudo o mais que isso envolve.
Eu lembro bem de você no Hotel Chelsea
Nós éramos famosos e seu coração era legendário
Mais de uma vez me disse que preferia homens bonitos
Mas que para mim você faria uma exceção
E cerrando os punhos para aqueles como nós
Que foram oprimidos por modelos de beleza
Você disse 'bem, não tem importância,
Nós somos feios mas nós temos a música'
Ah, mas você foi embora, não foi, Amor?
Você simplismente voltou para o meio da multidão
Você foi embora e eu nunca te ouvi dizer:
Eu preciso de você, eu não preciso de você
Eu preciso de você, eu não preciso de você
E tudo o mais que isso envolve.
Eu não quero insinuar que fui o que melhor lhe amou
Não posso salvar cada passarinho caído
Lembro bem de você no Hotel Chelsea
Isso é tudo, eu sequer penso em você com essa frequência."
(Leonard Cohen)
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